Poema de Mariana Basílio em dia de LUTO pelo Museu Nacional

Luzia

Imagem de LUZIA: WWW.metropoles.com

 

O mais antigo fóssil brasileiro era
Luzia, com doze mil anos.

Luzia, que ainda parece morrer.

O museu ardendo por Luzia.
Carregando no oco do fogo
Múmias do Egito,
Um gigante meteorito,
Fósseis de dinossauros,
Uma coleção de História Natural.

Duzentos anos de história
Condensados entre os
Inacabados corpos,
Com acoplados motes.

Luzia levanta e se espanta.

“Tudo é o poder do fogo!”

O mais antigo museu brasileiro,
A morada das floras,
Queima entre os elos
Dilacerado há duas horas.

Condenados há quinhentos anos
Sofrem assistindo as chamas.
Sofre mais Luzia com outros
20 milhões de objetos
Derretidos a cada segundo no
Calor abrasado de um país se
Eclodindo na fumaça espessa

Canta alto, coroando o espanto
Rasgado aos pedaços.
Por nossos inviáveis males –
Evadem os corais e os
Pássaros. “Perdoai os abutres!”

Luzia presente.
Luzia livre!
Não se compõe com
Adeuses nas lágrimas.
Mas ainda se inflama na
Nódoa do tempo que não se mede
Enquanto a estrutura
Toda se evade.

Ela parte sozinha.

“Vá em paz, minha fia!”

Entre os sóis, Luzia
Beija mãos que não se movem.

 

Mariana Basílio

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