Poema (25) de Fiori Esaú Ferrari

kaspar

Imagem: Pinterest.com

 

Kaspar Hauser

 

Sempre lembro

que quando assisti

pela primeira vez

o Enigma de Kaspar Hauser

estava triste e aves canoras,

tristes, tristes também,

comiam na palma da minha mão

plantações enormes de abandonos.

 

Eu me achava entre os cestos

tramados de folhas secas

e via o ato supremo da delicadeza,

seu nome feito de flores

crescer no jardim.

Formava lágrima.

 

Essa levo comigo na vida,

descansará até o fim

nalgum canto da minha pálpebra.

 

Meu entendimento desentendia.

 

Se eu tivesse sido agricultor,

eu também plantava nomes.

 

Seu tivesse sido agrimensor,

eu media a dor dos nomes.

 

Meu pai me chamou de flor.

 

 

Quando iniciei o motim

contra o velho continente,

poupei as flores de Kaspar.

 

Eu não podia devastar

minha alma

pra resolver meu édipo.

 

Fiori Esaú Ferrari

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