mulheres de Ítaca

 

 

as mulheres de Ítaca esperavam pelo belo
veladas aos cuidados dos banhos de azeite

em cada nau rasgando o coração da costa
e no farfalhar das migrações dos pássaros
toda uma década de motivos para esperar

tateavam os seus corpos às possibilidades
invocando as vontades vertidas nas mãos
com a força imantada no cativeiro dos pés

o desejo era libação jorrando das margens
a certa altura incontido, dada sua potência

essas mulheres e seus silêncios absolutos
e suas rotinas ao redor do regresso tardio
adornando a pátria contra o esquecimento

esperavam pelo belo em seu duplo sentido:

a promessa no mar e o destino no Olimpo.

(Amanda Vital)

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Este post foi publicado em Avulso em por .

Sobre vitalamanda

Amanda Vital (Ipatinga/MG, 1995) cursa Letras com ênfase em Estudos Literários na UFMG, em Belo Horizonte, transferida da UFPB. Autora dos livros Lux (Editora Penalux, 2015) e Passagem (Editora Patuá, 2018). Entre 2014 e 2016, participou do grupo de declamação Aedos, em João Pessoa. Seus poemas são encontrados nos blogs Amanda Vital Poesia, Equimoses e Zona da Palavra, além de espaços virtuais como Germina, Ruído Manifesto e Literatura & Fechadura. Também participou de antologias como Ventre Urbano e 29 de abril: o verso da violência. Integra o conselho editorial da revista Mallarmargens. Contato: amandavital@live.com

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