procissão de Baco

rothschildparty9

recolhei os profanos sóbrios
os praticantes do contradelírio
recolhei, recolhei as estátuas 
de lábios de gesso

as carnes navais estão passando
bailando na ciranda do desejo

recolhei suas crias selvagens
Baco irá comê-las mudas e cruas
para que não germinem
comê-las cruas e cedo

as carnes navais estão passando
bailando na ciranda do desejo

seus pais e mães, as gêneses do perverso,
dos ovos mal fecundados recolhei
toda a casta impura dos muros do sossego

as carnes navais estão passando
bailando na ciranda do desejo

assim como seus pares, cônjuges soturnos
que nunca derramaram uma gota de vinho
em seus corpos de sucumbida virgindade

recolhei, recolhei os estáticos companheiros

as carnes navais estão passando
bailando na ciranda do desejo.

 

(Amanda Vital)

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Este post foi publicado em Avulso em por .

Sobre vitalamanda

Amanda Vital (Ipatinga/MG, 1995) cursa Letras com ênfase em Estudos Literários na UFMG, em Belo Horizonte, transferida da UFPB. Autora dos livros "Lux" (Editora Penalux, 2015) e "Passagem" (Editora Patuá, 2018). Entre 2014 e 2016, participou do grupo de declamação Aedos, em João Pessoa. Atualmente posta seus poemas nos blogs “Amanda Vital Poesia” e “Zona da Palavra”, e também produz videopoemas experimentais. É colaboradora da revista Mallarmargens. Contato: amandavital@live.com Facebook: https://www.facebook.com/vitalamanda

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