Poema (17) de Fiori Esaú Ferrari

refugiado

IMagem: Pinterest.com

 

Manjedoura

 

O sítio não é Belém,

nenhum Deus nasceu

e vagamente magos

perscrutam as estrelas,

a dúvida cai leve na alma

diante das classes sociais.

 

Deus não veio pro mundo?

 

A Maria Fumaça brinca

de equilibrar abismos.

Entre urubus

sofisticados,

ramos de neblina

pensam a queda.

 

Um grito sumia nesse fundo.

 

Podia ser Belém,

mas quem

admite a merda

sobre os cobertores

dos moradores de rua?

 

Quem admite o frio

a lhes roubar os dentes?

 

Ai, um violão soa grave

sobre o dia.

 

A canção vem morrer dentro

da brasa no fogão,

vem ditar o compasso de espera,

a vontade

da roça compartida,

o violão indaga,

bordão grave,

bordão grave:

 

Deus não veio pro mundo?

 

O burrinho e a vaquinha

deitam no chão

e jagunços armados

guardam a manjedoura.

 

Fiori Esaú Ferrari

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