Poema (11) de Fiori Esaú Ferrari

chaplin

Imagem: Pinterest.com (Charlie Chaplin)

 

Monólogo do fim

 

Eu procurei

instaurar no meu coração

pequenas tragédias.

Retirei dos filmes

de ação

que passavam

no cinema

de Itapetininga

quando pequeno.

 

Fazia ficar doente

sempre que um filme

me entristecia

e

algo em mim morria

como se me construísse

pro próximo enredo.

 

Na igreja, falavam

que era preciso morrer

pra frutificar.

 

Nunca entendi isso.

 

Então se a história

me fazia chorar

eu amava como se fosse

a última vez.

 

Tive muitas últimas vezes

porque amei, amei, amei.

 

Cartas que não chegavam

ao seu destino

ardiam-me no peito.

 

Mântua era nome que soava

nos meus ouvidos parecendo

um lugar da África

que eu adorava

e não sabia o caminho

pra lá.

 

Cartas que escrevi depois,

espécie de reparação

dos meus desastres,

ficaram na caixinha do correio

esquecidas dos olhos

do destinatário.

 

Minha mãe olhava

e reverberavam flores.

 

Vermelhas na grande e nodosa

tela branca.

 

Papéis poderiam

ser chamados de pétalas.

 

Assim viriam com perfume.

 

Fiori Esaú Ferrari

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