Poema (72) de Tito Leite

Rene Magritte.jpg

IMagem: Pinterest.com (Rene Magritte)

 

A HISTÓRIA FALA DE SEUS ISMOS

 

Acima de Bucéfalo              Helenismo

as plêiades de Aristóteles

relampejavam louros.

 

O esplendor da dama           Medievalismo

cruzava a taverna

e assustava Abades.

 

No coração de Deus             Humanismo

o saber desmedido

tem o dedo de Adão.

 

A amada tirava os               Copernicanismo

seios azuis da terra

e vestia-se de girassol.

 

Os vaga-lumes            Enciclopedismo

ilustravam a revolução

em cores e pombas.

 

Em carne e osso          Marxismo

o Estado é concebido

de um pecado capital.

 

A cifra do veneno                Capitalismo

engorda o olho

da $erpente.

 

A insônia das nuvens           Surrealismo

tem uma imaginação

de peixe.

 

Numa flor-em-si          Existencialismo

uma lasca se

faz joia rara.

 

Em smartphones         Consumismo

o gato quer ladrar

e o cão piar.

 

A poesia é despida dos ismos

– ela não precisa d’ismo.

 

Tito Leite

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