Poema (5) de André Luiz Pinto

mulher dormindo

Imagem: Pinterest.com (Pablo Picasso)

 

V

 

É noite. Tudo parece escondido.

Silêncio entre os carros que rodam

a madrugada. Tudo se passa na

cabeça: manhã, os trens lentos e

lotados, o olhar da mulher que amo,

a solidão dos livros. Tudo assim,

sob a mira do fuzil. De repente,

o relógio toca: é preciso acordar

antes, porém, precisa-se dormir.

Sigo o poema para vê-lo onde termina.

Tudo está nu, debruçado na janela

feito um latido. O frio anuncia

o fastio do próximo verão. Não por

esta noite, num abraço acolhedor.

Não agora. Tudo range nessa hora:

ospêlos crescem, ela vira para o lado

e dorme, ouço entre os batimentos

a voz do coração. Ouço calado

sem par. Haverá outro momento

para escutá-la senão o de dormir?

 

André Luiz Pinto

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