Poema (7) de Wanda Monteiro

gelo.jpg

IMagem: Pinterest.com

 

a ausência tange-lhe o corpo

singra-lhe

gélida

cortante

vara-lhe os dentes

inúteis escudos

cravados em vão

a carne

que já era fria

congela.

***

tudo é sede e fome

dentes trincados ao fruto proibido

tudo é palavra abortada no ventre
tudo é grito  do que não disseram os sentidos

os olhares ausentes
os gestos extintos
tudo é dor

sangrando no fio da carne

ávida do beijo estancado na boca

tudo é som

desmedido pulsar

sonora ferida
um coração a chover água e sal
tudo é abismo

dor escavada no peito

coberta com migalhas de afeto

misericordioso respeito
tudo é degredo

tudo é ausência

crescendo à deriva

ao esmo da fúria de marés

mergulho cego
embriaguez turva de quase amor

 o desejo submerge

tudo é naufrágio

 

Wanda Monteiro

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