Poema (3) de André Luiz Pinto

chuva.jpg

Imagem: Pinterest.com

 

III

A queda do mar anula

aidéia de chuva.

Águas invadem a seca

tísica mensagem do espelho azul,

naufragam a certeza

do chão, o pão

na moenda que moem as mãos

dos que moem açúcar

dos que colhem os dedos nos laranjais.

A chuva retrai o senso

de coisa perdida.

A chuva não perdoa,

permanece o cristal

de sangue na tina.

Um corpo vem conhecer

nos bueiros

o cheiro de ferro das vigas,

as estrias da cidade,

a carcaça do bandido

enquanto a chuva segue o crepúsculo

precoce do sol

no exílio.

André Luiz Pinto

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