Poema (68) de Tito Leite

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IMagem: Pinterest.com (Jackson Pollock)

 

HOMO INCURVATUS

 

Retorno de um sonho com a nona sinfonia na cabeça.

O peso da manhã coloca uma lápide no esplendor das estrelas.

É um crepúsculo o mistério que me encerra.

Fibras de aço deliram as entranhas dos deuses.

Falsete (inglório) de um banquete no escuro –

a harpa e o pássaro – amolo o absurdo.

No caniço, uma liberdade titânica:

a dúvida completa os cardumes do fogo.

Poderes em contingência metálica – o Estado é um cão bipolar

sua termodinâmica encurva minha alma.

A voz de uma criança uma oitava mais alta:

extático, derrubo o muro da separação.

Com andarilhos, aprendi a arrancar pedras de temporais

pilho ventos de um campo de girassóis

corto serpentes na imensidão do vácuo.

Descalço algemas – para a pátria sou cético.

Em essência a fumaça do incenso é o perfume de Deus

o deserto – solidão das pétalas –

grafa minhas digitais na loteria da viagem.

 

Tito Leite

 

(In: Digitais do Caos, edith, 2016).

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