Poema (2) de André Luiz Pinto

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Imagem: Pinterest.com (Heather Jansch)

II

Os galhos secos nascem virgens, brotam mortos no verão. E um menino socorre o mundo num primeiro berro. Mal sabe berrar. Força nem tem. Os galhos secos embelezam a paisagem numa coroa onde os espinhos não ferem os que abrigam; por cima de todos o chão abre fendas maiores do que cova; dentro dessas covas, um esterco esfolado pela pata de um boi anuncia: a chuva falta pouco. Os galhos nascem virgens, a vida mal respira, o ar é inflamável. E os filhos de seus filhos ainda vão suar uma água que nem Deus sabe de onde vem.

André Luiz Pinto

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