Poema (67) de Tito Leite

moinhos

Imagem: Pinterest.com (Michael Kenna)

 

MOINHOS DE VENTO

 

Raquel chorava seus filhos trucidados

– eu choro os livros

não nascidos.

 

São pêndulos os anjos que quedam.

 

Na essência que me conflagra

minha metafísica estreita

os êxtases que escapam

dos molares de moinhos.

 

A incompletude irrompe

uma absurdidade incômoda.

 

Quero que sejam transcendentais

os acidentes.

 

Sublimo com água ácida

o eclipse que espelha

minha ascese de tarde.

 

Em pólvora e fogo guardei-me

nos sabres metálicos da noite.

 

No meu pouco tenho o limo

que safira a gema celeste.

 

 Tito Leite

(In: Digitais do Caos, edith, 2016).

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