ANÁLISE E EXERCÍCIO

Aqui tem início o disco. Princípio de Sísifo.
Retorcendo o malho, alimentando a pena,
simulacro ou vendeta: eu não sei o que me recomenda.
Vidros se espatifam na cozinha e serena
a cantilena sussurra vozes no edifício.

Repete-se o refrão, refere-se à matilha.
Transe de coisas, clarão de idéias
Pergunta vida ao universo indiferente
a tudo. Uma silenciosa tarde branca
e infinita. Sei que armazena o tempo em frestas.

Faz-se um corpo de estilhaços, aduncos
cacos nacarados, sulcos e esquinas do sonhado.
Não é jovem, nem manhã; linha a linha fina
tinta sob a quilha navega o nãosser. Não é velha,
nem noite, cem braços cegos espraiam-se e nenhum plexo.

Guardo o tempo inexistente, malmequeres, diamantes,
opaca pedraria de instantes – tudo quase.
Vazam abstrações da realidade e a carne guarda
em si órbitas, espáduas, a cintilância da palavra rara.
Não sou o mesmo que digo, sei que agora não sou antes.

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