Poema (4) de Carla Diacov

renda

Imagem: Pinterest.com

 

hojendia

 

o mais suave do todo da brisa

entrava constantemente pela renda do vestido

ela pousava as mãos sobre os talheres

ela acontecia

como quando acontece

alguém morre de atropelamento

alguém morre com o coração atacado

ela cortava o filé vermelho

ela cortava

como quando corta o dia

faz duas noites inteiras

agora é bicho hojendia esfomeado

ela engole a vida em estado de hojendia

como quando engolia

cuida a casa como cuida a gula

dorme com a sede intacta

sonha com vida afiada

volta como volta a pluma preta no cru da penteadeira

o mais suave do todo da brisa desde

quando a renda

 

vez em quando o terno ciclo e acontece

quase todo o dia como quando corta o dia

plumando bocas em estado de hojendia no filé de mãe-da-lua

 

Carla Diacov

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