Poema (4) de Chris Herrmann

asilo.jpg

Imagem: Pinterest.com (Mykola Komarovskyy)

 

Janela do asilo

na janela do asilo
a visita inesperada:
o vento uivando,
a testemunha
que sobrou
daquela história
antiga, inacabada.
não alimentava
mais a família.
ele não existia,
não era nada.
ele também
não se lembrava.

perto da janela
os olhos cansados
perguntavam ao álbum
que respondia calado.
retratos amarelados
sem voz, contavam
a beleza instantânea.
estranhos sem eus,
fugídios, abafados.
papéis do sorriso ido
no quarto desbotado.
Uma última adaga
circundava a mão
junto à outra,
retratava o circo
– tão esquecido –
sem fome de pão.

 

Chris Herrmann

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