Poema (66) de Tito Leite

abstract

Imagem: Pinterest.com

 

TRACTATUS ILOGICO-POETICUS

 

  1. O ser é tudo que foge.

 

1.1    Sou Buda exilado no chão da alma:

vaga-lumes na caverna.

 

1.2    Sou Sócrates bebendo

a morte: dentro de mim os dragões.

 

  1. 3 Uma vez sonhei que era Aristóteles:

a virtude no meio da loucura.

 

  1. A ordem veste uma camisa de linho e chumbo.

 

2.1    Fechaduras no oceano – peixes nas nuvens:

em ardores quero um porto inseguro.

 

2.2    O barco tem bússolas e horizontes:

na orgia dos conflitos enfio o pênis no destino.

 

2.3    A identidade não escuta o silêncio, devoro o nada:

o absurdo é de tirar o fôlego.

 

  1. As dúvidas parecem um cavalo-marinho

 

3.1    O que seria o escuro do ser humano?

Algo além de um banquete para vermes e larvas.

 

3.2    Gosto dos mistérios, são perguntas sem respostas:

labirintos do inefável.

 

3.3    Todo suspiro do ordinário é Divino:

as chuvas, as cinzas da tarde e o calor da amante.

 

Apêndice    Para o poema nunca é tarde.

 

Tito Leite

(In: Digitais do Caos, edith, 2016).

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