Deuses

é sempre o mesmo poema
este em que digo do amor
ou outra espécie de orfandade

mas ele pede que eu escreva
ele teme que eu me esqueça
e à semelhança de outros deuses
se põe a catar serpentes sob meus ossos

é sempre o mesmo poema
que me abre
que me quebra
que me come

e nunca nasce

Daniela Delias

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