Poema (65) de Tito Leite

corvo

IMagem: Pinterest.com

 

SALVIA DIVINORUM

 

No templo do raso

um monge medita

a maquinaria da dor.

 

Tal Edgar Allan Poe

que criou o corvo

para transfigurar noites pálidas

 

o homem contempla

o silêncio de uma

salvia divinorum.

 

Pão bento. Serpente adâmica.

 

Mas a matéria

tem náusea –

cobiça as palavras

que são castas.

 

É raro o corpo

do seu pensamento

e os números de sua alma.

Seus pássaros

trazem o projétil

que sabota as sépalas

dos vitoriosos.

 

Longe dos teoremas

que calçam réguas

na música dos celestes

seus olhos querem saídas:

para as musas – horizontes e vinhas.

 

Enquanto na pátria

os mercadores de lápides

passeiam pelos

bulevares da moral.

 

Tito Leite

(In: Digitais do Caos, edith, 2016).

 

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