Poema (5) de Wanda Monteiro

semente

Imagem: Pinterest.com

pátria nossa

assombro e orfandade

chão anoitecido de soçobros

o tempo acautelado de

correr a senda de estradas sem luz

 

na sombra

há sempre um interlúdio de paralisia

 

entre

haveres

de

escombros

decreta-se o desatino

nós desvãos da inércia

ante à remissão

dos idos tombados

sob à turba dos muros de ocasos

adoecidos

de limo

de limbo

e lama

na letargia de dias

não amanhecidos

 

espera-se pelo tempo

só ele diz dos prenúncios

só ele diz da morte dos dias

só ele derruba barragens

para como o rio

correr

espera-se

 

até que na andança da espera

o chão possa recolher o adubo das sombras

render-se à cópula das manhãs

 

haverá de aurorescer

 

ouvidos se abrirão

largamente

para a escuta de sementes se abrindo

em busca de uma possibilidade

feita de sol

 

Wanda Monteiro

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