[é ela, a água enorme…]

é ela, a água enorme, a escorrer nos aquedutos, artesanalmente aberta como na sua infância
em fuga.
– derrubada a água sobre o cimento,
plana.
as luzes da melancolia invadem o escuro dos aquedutos.
por sobre a água e as luzes,
entoa-se
o arrefecimento e a solidão imponderada da substância.
espantando a água
sob as águas do mundo imaturo,
irrelevante,
acordará toda a dor da matéria.
os aquedutos
correm com a água desabando
as circunferências e os desníveis da massa redonda,
até os minerais serem dados como milagres
do ar que sucede ao canal da ventania
sucedendo o ar que entra,
que sucederá ao ar que sai
pelas condutas tristes.
no escuro.
noite, vibrações, pedras, resíduos químicos, vidros
em combustão com a força arrasada da água
como se trabalha.
mexe à inércia:
– bailando pelas águas
com tremenda vontade de espantar as pessoas
se não as pensam
ou sabem donde a água regressa.
a água encanta as goelas
de quem a ingere num sorriso oculto.
atravessada
a água pela boca do nome.
continuam
a deslizar os aquedutos
por entre a terra fundamente invadida pelas fundações de quem
os mete lá dentro.
aquedutos de água sem vocabulário
ou gramática para gritar a morte da água.

despenha-se a água pela lados da boca embriagada
contra o betão espesso.
a boca manda calar a engenharia dos aquedutos vastos.
e toda a água inventa a água,
fechando-a nos aquedutos carnais,
iniciando os sentidos da vida:
– a água escorrida.

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