O CÁLAMO DE MARCO POLO

escrever mil páginas
em mil folhas de mil palavras cada
o cálamo de marco polo
rara viagem pelas linhas para
ensaiar outra viagem além
de horizontes ou margens sempre
vizinhas margens no poente este
horizonte e o patente medo da viagem
afunilada para dentro qual
agulhada redemoinho sem
vento o caminho para o centro
onde percebo o começo
o cerne da noz
aquilo dentro enrodilhado
inquilino pequeno
em mim dentro e eu atento
a sangria do tempo que
me sinto sendo
o passado e o presente
no mesmo engenho
moinho de tempo
moinho sem tampo
batendo batendo batendo e pronto
sozinho não o tempo
moendo em si e de novo batendo o ponto
mas outro engenho substrato
efêmero esfarelando alvo macerado bem
dentro que finge ser centro
atento a tudo isso passando frio calor e sono recalque e molho de taturana
vertigem mesmo que o centro presente dentro
não é ventre dentro é aperto em mim
que compreendo o sentido sendo
só sonho terreno
enfim
menino
e veneno

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