[dessas transparentes pedras…]

dessas transparentes pedras a cortarem a haste debaixo das rosas
deito a boca na tua com uma rosa no olho direito
os teus peitos pousados docemente nesses calmos e pequenos dias
indicam todo o caminho a percorrer-se
sinto-te cantar aos bosques e mares perdidos num fio de árvores
azuis que te tecem os dias e as noites dentro da tua voz aguda
eu com lágrimas na sombra canto dentro de mim os beijos
e as memórias sem regresso por quebrar à tua frente
sei que te repetes nessa doçura delicada
e trazes-me as últimas rosas por desfiar
mantém-te assim a observar como a espuma branca
os corpos entrelaçados aos bosques e mares sem esquecimento
procura-me quando cantares
estarei abraçado ao regaço duma rosa e porque te ouço
a respirar frágil danças loucamente no brilho longo dos meus olhos
mas não me vês ainda.

 

filipe marinheiro, em «noutros rostos», chiado editora 2014

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