Poema (3) Chris Herrmann

viola.jpg

Imagem: Pinterest.com (Am. Benedito)

 

Viola

viola chegou
me puxou das tumbas
com boca de fantasia
colossal me tragava
opulenta e curvilínea
era monumental!

sorriu de tamborim
só pra mim!
curveou de pandeiro
de nada demorou
fez muita zabumba
nesse meu peito
de agogô

cheia de repinique
ensaiou meu carnaval
ahhh, foi ela sim
na noite ligeira
samba de primeira
meu pique-nique farto
instrumental!

viola agora foi embora
levando com ela
a banda da alegria
– eu ali, de cuícas,
na marcha do bumbo

ela deixou no ar
um reco-reco sufocado
quase inaudível
um baixo de dois lamentos
no alto, as três marias
– agora triângulo
das bermudas –
e uma dispensa
sem eira nem beira
quase vazia
se não fosse o coração
[estes dois chocalhos
enxovalhados]
na prateleira

saí assim pela rua
seguindo Sem Ela
minha nova banda
na desritimia implacável
dos séculos de minutos
com meu cansaço surdo
a alma batida, esquecida
intragável, na garganta
esmorecida no bolso
e a lua violada
no saco

 

Chris Herrmann

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