1916

Havia homens carregando cruzes
em nevoeiros pálidos de fuligens cinzentas
nas noites que sangravam depenadas.
O encouraçado.
Cavalos que galopavam cor de éter.
Corpos feitos de nuvem.
Gritos evaporados.
Havia teus dentes pálidos
instantâneos
pintados num quadro
entre as trincheiras
e as valas comuns
A crueza de bocas e seios e
vísceras
O rescaldo.
Um passível semblante morto
uma lua fuzilada
à queima-roupa
rostos e covas tão rasas
que era possível pressentir no faro
a decomposição de tudo.
Espectros.
O medo que já não cicatrizava
da mortalha dos dias desfiada
golpes de calibres inimagináveis serpenteavam
ácido-reluzentes em corrosivas sombras latejantes
estranhos resíduos que penetravam poros, mente
& outras frestas
setas para o cavalo cor de ouro.

Leandro Rodrigues

de: Aprendizagem Cinza, Ed. Patuá, pág. 45, 2016.

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