MALOGRO

Com a constância do mundo,
morro,
mas renasço
sem fim.

Cada vez que vou, mais tênue
(o esboço),
como se lento fosse, enfim,
pedaço de mim por vez
finito.

—  Eu renasço em outro.

Leve como a brisa,
um fio em cada canto vai cedendo
em um suspiro no canto da boca.

Lá fora, entre o tudo e o nunca,
apaga-se um ponto negro.
Lá onde dorme a noite,
o esquecimento, a adaga esquecida,
afiada e sem dentes,
ali na calçada,
deitada,
convida.

Silêncio nos olhos,instante sem nome.
Quatro letras sem fundo, enorme:
fome.

(Bem agora que você acabou de ler, alguém na rua fechou pela última vez os olhos.)

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