Poema (4) de Fiori Esaú Ferrari

andorinhas

IMagem: Pinterest.com

 

Sinal

 

A criança está sentada numa cadeirinha

no meio da sala.

Não pode se levantar.

 

Aos três anos.

 

A professora vai

além de outras

crianças em movimento.

 

A criança teve paralisia.

 

Me sento ao seu lado.

 

Ela olha pra mim

como se o tempo

não fosse de ogivas,

como se o tempo

não estivesse armado

e a lógica não fosse também

o costume e o consumo.

 

Ela olha pra mim

diante da janela que temos,

lá fora mergulhada de sol,

lá fora das folhas

que falham a manta do céu, por isso o azul é tão triste.

 

A criança move a cabeça.

O que ouvi é.

A voz cansada e só

escutei com ouvidos

que eu não possuía.

 

Me perguntou…

 

-Você vai embora? Vai pra casa?

 

Acordos não constroem a paz mundial.

 

– Depois que der o sinal,

vou, vou sim.

 

– Eu quero ir embora também.

Eu quero ir pra casa…

 

Ainda não aprendeu

a hora permitida

da partida.

 

Duas andorinhas entram pela janela

e sequestram a criança pra chuva no horizonte.

 

E eu permaneço seguro no tempo,

entre as angústias do norte ou do sul, esperando o sinal.

 

Fiori Esaú Ferrari

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