VEJO O ASSASSINO

O assassino que vejo em seus olhos
devora a raiva que sinto.

Gota a gota o sangue escorre
a tinta das veias desenha a terra.

Há um pedaço meu nele;
há minha morte nele.

Lá está ele trajando a mesma camisa
— aquela mesma! — que gosto.

Parece vestir entre as orelhas
o mesmo rosto vincado que o meu.

O assassino que vejo em seus olhos
tem a garganta engasgada,

no bolso a carta, no cano a bala,
e o fio da navalha corta o seu olho e o meu.

O assassino que vejo em seus olhos sou eu.

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