PARANOIAS URBANAS

E se me pegarem? E se me levarem? E se me roubarem? E se me deixarem? E se ninguém falar nada? E se falarem tudo? E se não curtirem? E se ninguém chegar? E se todo mundo chegar? E se correrem? E se gritarem? E se acabar? E se tiver mais? E se não parar? E se quiserem mais? E se não quiserem? E se me atropelarem? E se não pararem? E se eu guardar? E se eu gastar? E se a barra limpar? E o sol abrir? E se chover? Anoitecer? E se amanhecer? E se o silêncio transbordar além do ouvido?

Olhou pela janela? Olhe pela janela. Reparou? Nada parou, ninguém ouviu, nem assuntou, não se postou, nem viralizou. Não houve curtida. Ninguém se importa e novamente recomeça a vida. Sem que os pássaros se importem com as contas e com o aluguel, se pegaram outro, se não pegaram ninguém. Deu no jornal, mas ninguém leu. Acreditar na tevê? Acreditar em quem?

Escovou os dentes, conferiu a cor da língua. Os olhos estavam amarelos? O hálito, ameno? Vestiu-se e colocou o vilão embaixo do braço. Atravessou a rua com cuidado e sentou-se em frente a um prédio. Puxou do bolso a gaita e tocou para os passantes até que o sol lhe queimasse o semblante. Embaçou a vista fugiu o vilão, que é da natureza desses se evadirem, furtivos, pelas esquinas. Alguns quiseram deixar-lhe moedas e recusou dignamente. Nunca precisara. Retornou ao quarto. Fumou três cigarros.

E se o prédio caísse?

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