Poema (55) de Tito Leite

azul.jpg

IMagem: Pinterest.com (Mira Schendel)

 

AZUL INAUGURAL

 

O óbvio tem folhas

de chumbo — o vento

me respira como faca.

 

Na pimenteira do novo

me queimo

por dentro.

 

Quero na boca

o óleo árido

das palavras

que não sangraram.

 

As rosas solitárias

do ocaso em busca

do odor do sol.

 

O meu vazio traduzido

em pássaros

póstumos.

 

Descobrir as rodas

do invento é a maçã

do Éden para

os poetas.

 

Tito Leite

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