Poema (20) de Nilcéia Kremer

caos

IMagem: Pinterest.com

o caos tem nome e mora em casa com cinco cômodos. é notívago, gosta de botas e all star. corre e ameniza o peso de milhões de vidas vividas. o caos exala veneno de mulher e tem gosto agridoce. têm poções o caos, e crê em cosmologia. o caos é anarquista e escreve poemas. gosta de baião de dois, sopa de feijão e ama batatas. é mais consumido que consumista e tem a estreita vista de quem teve a luz cortada, a água cortada, o telefone cortado e a vida fatiada em pequenos pedaços pra caber na tábua de frios. o caos tem arrepio démodé, ama porquês e sonha que fuma. no sonho o abismo a engole e tira sua roupa. maldade pouca é bobagem em judiar do caos. porque o caos não poupa carinho e respira mansidão, só vira furacão se pisam na sua unha encravada.

Nilcéia Kremer

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