Poema (1) de Sérgio de Castro Pinto

jardineiro
Imagem: Pinterest.com (Paul Cezanne)
o jardineiro francisco g. da silva
não espalhas
em folhagem
a tua fala
tão avessa
à textura
prolixa
das samambaias.
do muito que podas
já vens podado
e o pouco que falas
não serve de unguento
às feridas expostas
do teu silêncio,
te arrancas
como à urtigas
– abrupto,
mas com cuidado -,
as muitas
que te queimam
enquanto calas.
e do tanto que regas,
medrou de ti
este chapéu de palha:
corola que te empresta
um certo ar ensimesmado,
menos de homem
do que de espantalho.
Sérgio de Castro Pinto
(In: O cerco da memória)
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