[passo por uma lágrima…]

passo por uma lágrima clara que me escuta e me chora
sem abandonos aparentes

a lágrima esmaga as minhas lágrimas dentro doutras lágrimas
fora delas as lágrimas viradas para fora cheias de esperança pura
iminente

como me pesam no rosto a sua sensação ou carícia inteira

nunca as vejo essas lágrimas escorregadias
a mergulharem toda a ironia desta puta vida:
. vida desfeita em lágrimas flutuantes
. vida com casca líquida por retirar
. vida destruída
. vida com amor esquecido

um dia destes pousarei os olhos numa voz genuína
única voz em eco solar e direi:
chega desta merda façam amor com as pálpebras abertas e digam
lágrimas…

e todas as lágrimas farão a nossa história definindo-nos por dentro:
digam lágrimas…

 

filipe marinheiro, em «noutros rostos», chiado editora 2014

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