Poema (1) de Leila Guenther

Street view.jpg

Imagem: Pinterest.com

 

Street View

 

A casa afirma sua existência no mapa das ruas.

 

É quase possível mover-se ao redor dela

como faço nos sonhos de que é sempre o cenário principal

e como fazia com as crianças da vizinhança

quando ela era a ilha perdida de Crusoé

o faroeste com saloon

o hospício gigante

o balcão de Julieta.

 

Há uma nova cerca

e um carro na garagem.

No lugar do milharal

longos varais se enfileiram.

Há um adesivo colado na janela da frente

que dá para a varanda

onde uma mulher de cabelos brancos e vestido de estampa miúda

[se deixava ficar como um espectro.

 

No entanto

não existem mais a mulher

(cada vez mais parecida comigo)

para quem me vejo acenar sem resposta

nem a casa

em cujo terreno vazio construirão um prédio.

 

E não sei por que ainda me espantam

suas paredes de madeira em movimento

fixadas na eternidade frágil de um programa de computador.

 

Leila Guenther

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s