[também um bloco de neve…]

também um bloco de neve alonga as areias finas da praia
viaja de escaravelho em escaravelho como um navio de gelo
a boiar incerto no convés debaixo do mar
não sei se foi o vento silencioso que estoirou a neve
ou se antes coroou esta praia com um sol desértico
sem ninguém sem gaivotas
para nos farejar só comigo só contigo
na neve cheia de blocos de palmeiras quentes
e o sabor e o ardor daquela árida maresia devolvia-nos o sorriso
creio num sorriso a correr dentro da boca do mar
e eu e tu morríamos naquela areia de neve – isolados

 

filipe marinheiro, em «noutros rostos», chiado editora 2014
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