Poema (3) de Fiori Esaú Ferrari

mar

Imagem: Pinterest.com

 

Do mais profundo

 

Do mais profundo,

eu canto, Senhor,

a inaugural ação

de vossos barcos,

eu canto a tristeza

dos passos nas ondas

e firo de sangue

proposições de estética

na retina das cidades.

 

Do mais profundo,

entrego o meu espírito

de alçar reinados

por onde ansiei

monções,

eu, entre os ventos de atropelos,

esperei audazes passarinhos

trazerem no bico

o ramo, o ramo verde

da queda, do silêncio,

do achado em terra

onde todos amam,

todos gozam

todos dormem,

todos erguem

sua oca.

 

Do mais profundo

faço minhas orações

profanas e aceito o mito

como aceito o café

preparado entre afetos

e a ordem clandestina

de lutar e ser feliz.

 

Feliz no que se tem

de estranho,

meio à precisão mecânica

e à festa.

 

Do mais profundo, Senhor,

não me entrego,

a não ser pras ondas

que acontecem na praia

e levam os peixes

em oferta e milagre.

 

Fiori Esaú Ferrari

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