Poema (3) de Francisco Calado

bailarina-morta

Imagem: Pinterst.com

 

ASAS QUEBRADAS

(a uma bailarina morta)

 

Os braços do sonho

despencam andares

e caem sobre o peito

ou serão suas asas

forçadas ao chão

num sonho desfeito?

 

como em pirueta

que no ar dissolvida

do teto ao concreto

tal filhote de águia

ou alçar de um cisne

em um voo incerto;

 

e talvez bailando

em anti horário

vendo cair o sonho

tal como brinquedo

que caindo do berço

traz pranto medonho;

 

e não havia grama

palco ou picadeiro

que aparasse o pouso

apagam-se as luzes

sobre o branco e o rubro

do vestido morto;

 

porém seu bailar

que talvez perdure

prossiga aos Elísios

tendo Sono e Morte

como frios jurados

já mui surpreendidos;

 

fazendo-se Eurídice

sem Orfeu sem lira

que mesmo na pedra

deixando sua vida

dança baila gira

e à vida desperta.

 

Francisco Calado

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