Poema de Alexandre Guarnieri do seu novo livro: Gravidade Zero

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S.O.S

 

abandonar

palavras ávidas

pelo resgate,

na página,

como antes,

nas mensagens

dos náufragos,

em garrafas…

 

quem sabe

haveria sílabas certas

para salvá-los,

sangradas

no improviso

das canetas

secas pelo calor

drenadas pelo sal

“save our souls”

as letras dependessem

apenas da estética

para serem avistadas

pela nau exata,

flutuando, camufladas,

sobre turbulentas águas

 

terá sido o último recurso

– grito no vácuo, escrito –

de cada herói moribundo,

de cada pioneiro galáctico,

afogado no derradeiro átomo?

 

que destino um astronauta perdido,

sem ar, carinho ou abrigo,

( entre hordas de supernovas )

escolheria, senão o da poesia?

 

 

nota do próprio major:

“se escrevo em terceira pessoa

é porque aqui fora, indefeso,

enquanto orbito Solaris a sós

ou longe de qualquer nave

que me abduza ou salve,

tão distante da lua ou do sol,

por vezes o espelho que fiz

de minha escotilha, me dizia:

o eu que vês já é um outro,

bobo, e teu fantasma és tu:

booo!”

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