Poema (1) de Helena Barbagelata

Niké.jpg

Imagem: Pinterest.com

 

A MÁSCARA DE AGNODICE

Que a brisa te leve, diáfano,
desamarrando o corpo nu,
levando os rolos de seda do areal
nos fémures doirados, corrias assim
desde a vitória de Pisidoro, agarrando as asas
da liberdade, mas o loureiro já descansara
a sua sombra sobre as minhas têmporas,
sempre-verde, sempre-verde; como pela
graça de Niké, tu entrançaras os teus
cabelos louros de flores; não te vi,
disfarçaste-te de uma tragédia,
[que ela descera como um ilustre
esgrimista para ver de seus olhos
a olimpíada,
Antecipei-me aos calcâneos de Theagenes
– ou fora Hermes, a içar-te pelos tornozelos,
lancei-me como Cynisca – embuçaste-te
na cerração do bosque, eu sou demasiado
lesto – sobre a iridescência do sol,
rivalizava com Bóreas, retrosseguias,
[dizem que uma deusa cortou o seio
para arquear certeira os destinos justos,
e eu, sem a túnica e o desdouro dos
juízes de Aeropagus, com o corpo
e a ciência inteiras,
[que a filha de Zeus tivera a beleza
infinita, e revoava, destravada na caça,
igual a seus irmãos,
Sobre a carroça de sois, com as alas
no reduto da alma, como pela graça de Niké,
eu entrançara os meus cabelos louros de flores

Helena Barbagelata

 

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