Poema (1) de Mariana Basílio

 

paysage

Imagem: Edgar Degas – Paysage de Bourgogne

 

(Poema do livro que escrevo atualmente, Megalômana)

 

 

Dentro de mim há um vasto lírico sentimental

 

Dentro de mim há um vasto lírico sentimental.

Mundo que basta num só peito – ar dos

Pulmões sempre aberto a todos os seres.

 

É o vento a queimar o esplendor do dia.

É o escuro das ruas a perpetuar a

Memória incendiária, libertando

O estado retilíneo das coisas.

 

Dentro de mim há uma gata branca a lamber-se:

Primeiro as patas traseiras se esticam, depois

Uma sensação de pertencimento – quando

Mordo a longa cauda a limpar os

Resquícios humanos da pele.

 

Dentro de mim é a ideia extraordinária da

Infância que se lança a recobrir as feridas.

É casa imensa que se move constante,

Perante a impureza dos espelhos.

 

Dentro de mim basta.

 

Mesmo que o exterior mate o olhar.

O que é vivo é aqui e borbulha, feroz.

Porque dentro é o amor que emerge.

Vida em outra vida, outra vez mais.

 

Milagre do milagre que encontro.

 

E o medo da morte finalmente se repele –

O resto emerge, nos frutos e nas estações.

 

Mariana Basílio

 

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