FRAGMENTOS MARINHOS

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Deriva, deriva, deriva o dia. Uso sal para riscar meu rosto. Memórias abissais, sublevação, desconheço tamanho naufrágio, tão profundo repousa. Nas profundezas não há quem ouça — o silêncio pesando em cada elemento. Nessa praia a consciência falha. Espumas, ou consciência, ou brisa, energia e reciprocidade. Cada momento o mesmo momento; arrebentação incessante, momento — memento mori. As memórias caladas ribombam, submersas espumas e seres imaginários. A noite não cessa, o mar nunca está parado. Louco, bebo o mar amargo. Cada gota em minha boca vertida também é o desolamento abissal. A ponta da onda toca o mundo interno e sonda, surda, a beira do medo, a própria sombra. Além do escuro, o mesmo, o muito, o múltiplo eu, sem sombra. Além do dorsal, tectônico, fenda adormecida, profundidade infinita, o mesmo mar que lhe explora, toca as areias das margens agora.
Eu  me lembro que quando jovem ia pela orla, correndo das ondas num jogo de pegador, a água sempre querendo tocar a pegada que eu na areia deixava. Eu corria, criança, deixava a pegada e a onda alcança minha memória. Eu pensava pegadas e toda aquela água ; eu era a praia.

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