Poema (7) de Iara Carvalho

 

corpo-construido

Imagem: Pinterest.com

 

UM HOMEM EM CONSTRUÇÃO

 

Sobre o delicado terreno

do coração,

construo o meu homem:

é de carne e louça

a máquina do seu corpo

tão deserto.

 

A estrutura lírica dos olhos

ouso urdir com  barro e lenda:

rompem da caixa uns vulcões

tão castanhos

quanto poéticos

(afetos).

 

Depois de caiada a mansidão

do sorriso,

mordo as arestas,

beijo o siso,

lambo um por um

os pelos da barba taciturna.

 

Mas o cimento é móvel:

não reconheço a voz de pedra,

obscuras são suas mãos…

E por dentro da noite

fico sem a memória

daquele rosto moreno e nu.

 

Iara Carvalho

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