[desejaria ser …]

desejaria ser uma tremenda árvore
rasgar os meus pulsos de inox de alto a baixo
memorizar que lá dentro se asfixiam pedras preciosas
embrulhadas por raízes mortas há muito tempo atrás

escavassem a luz do meu ventre seria uma esplêndida árvore
acordar tantos vestígios quantos desastres por acontecer

como imaginar uma escrita invulgar tecida sangue entre sangue
até verter lágrimas enigmáticas

ou rebentar com a gramática toda adentro destruindo
toda a sintaxe enfurecida pela poesia antiga submersa sem sentido

depois nascerão novas letras esculpidas pela escuridão do sangue
num tamanho estrondo de fugir sem fôlego navegasse
numa outra nova órbita inacessível ou imagino-me a vaguear
perdido na desolação destes intermináveis rostos… … …

 

filipe marinheiro, in «noutros rostos», chiado editora 2014

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