ASAS – VALAS – PALAVRAS

Asas valas
Velhas senhoras nubladas
Em tom pálido
Nem a morfina as
humaniza
Estive ausente
séculos
E aquele quadro permanece ali
– intacto
Ainda mais belo
Em frondosos jardins
íngremes – galopes
a sangrar rasteiros,
palavras.

Asas valas
comuns
Meus olhos são neutros (outros)
E não podem decifrar o cinza
E sua superfície de nuvem.
E não podem ver as rimas
do que ainda é fuga – pássaro
Ou mesmo mar brando
(plana invenção) que se refaz em onda
fria.

Plano – isento. Asas planas.
as valas descobertas, velhas senhoras
Cadáveres expostos/ putrefata simetria
ossos partidos
fragmentos tão perfeitos.

Leandro Rodrigues

de: Aprendizagem Cinza, pág. 48, Ed. Patuá, SP, 2016.

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