FRAGMENTOS MARINHOS

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Ela possui meu corpo, estou imerso nessa cidade.
Busco a margem e não vejo meu litoral.
O casco corroído range outros naufrágios — há vida entre todos os escombros.
Observo as aves que passam, vigilantes da vida imersa.
As ondas contam, o vento alisa o sal invisível e a pele dobra-se aprendendo o tempo e seus fragmentos.
Eu não tenho paixão, a continuidade das ondas torna-se a única realidade: absoluta.
Não sei se entendo aquilo que me sinto sendo.
Eu não tenho tempo e sigo, onda após onda, entreposto, um após outro, sem entender estes outros que sou, ou nenhum, evento.
Eu sou o que sobrou.
Gasto palavras que me torno
Sou o instante em que passa o vento, ondas soando em contratempo.
Tremulo, mas estou fincado no oceano de pensamentos.
O mar declara ao vento, ondas e tempo, o outro momento é o mesmo: tempo, tempo, tempo.
O mundo marinho e suas calmarias aqui dentro.
A ressaca que assola o peito.

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