Poema de Nathan Sousa

cavalo
IMagem: Pinterest.com
NÃO PRECISAMOS SABER
(ave de aristófanes)
ainda que me pesem o
anonimato e minha sombra,
restará em meu orgulho
fracionado um pedaço de céu
caído como uma pedra no
peito.
porém, a vida é grave,
e o tempo é o silêncio entre
a lágrima
e o falso riso.
é também o suspiro e um
cavalo desenhado nas nuvens,
(uma ave de aristófanes e sua
cruz
cravada no vento).
e o tempo é meu rosto
e a delicada lâmina de meu
algoz;
o filete de ouro nas unhas da
gueixa;
a fragilidade alimentar do
homem
e suas estruturas disformes,
repletas de patologias
(as retinas alargadas de marx
& engels
aos cuidados de mao tsé-tung)
no modos operandi
trabalho exagerado/morte
precoce.
o tempo é a deterioração em
ferro e carne
(fundidos); a submissão ao
acúmulo,
pois que insalubre é o fio da
severidade.
o tempo: dois dígitos
carimbando
minha lápide em branco.
Nathan Sousa
(In DOIS OLHOS SOBRE A LOUÇA BRANCA)

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