Carlos Drummond de Andrade

Gosto da água que bebo
em seu filtro de barro
límpida e sagrada
parece de mina
Que importa se a bebo
em um mero copo de plástico?

Não consigo olhar direto em seus olhos
brumas, neblina
onde até fumaça de cigarro fica pura

Acabamos de nos unir pela loucura
mas me apoio na lucidez que nos separa

Não posso ler seus livros
nem você os meus. É nosso pacto de cura

Respiro bem seu ar de São Francisco
sua voz tem gosto e cor
e me come em segredo
ou serei eu que como a sua voz

– pão de palavras?
Iracema Macedo

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