CANÇÃO DA PRAIA

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Foto do autor.

– Oi
– Oi
– Você vem sempre aqui?
– Eu fico por aqui, gosto da praia.
– Gostei da sua cor…
– Combina comigo.
– Quer ser…
– Meu amigo?
– Não sei se já vi você…
– Antes eu passava por aqui, eu nunca te vi.
– Tenho certeza que…
– Me identifiquei.
– Você parece ter essa mania de completar…
– Não sou eu, é a vida que ensina a próxima fala.
– Carrego tanto dentro de mim.
– Nem o tampo eu consigo mais fechar
– Tem dias que pareço viver uma sina.
– Hoje, por exemplo, me sinto viva.
– Você me anima.
– Você colore, exagera na rima.
– Parece que hoje o Sol não vem.
– Eu sei, ele é assim só aparece quando lhe convém.
– Parece coisa de signo.
– Eu sei que é solar.
– Você me diz tanto.
– Não é verdade, puro encanto.
– Tenho um segredo.
– Não temos todos?
– Por dentro, sabe? Carrego algo de podre.
– Assim somos, e já não é de hoje. Eu, sou mais fechada assim, não se sabe o que em mim estraga.
– Esse sentimento polui o ar.
– Fica comigo, aqui do meu lado, olha a ressaca, vai nos salvar.
– Acredito no mar.
– Ao seu lado, não acredito que abro.
– Não queira o segredo, apenas o mar dessa manhã.
– Lavando a areia, vem e vai, a cidade longe, alheia a nós.
– Eu me emociono e o chorume pranteia em mim.
– Deixa disso, não fica assim. Veja como temos a praia e o horizonte, os problemas da cidade, lá longe.
– Fui tolo, emocionado.
– Esquece isso, fica aqui, do meu lado.

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