das moças

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ser moça é uma ferida aberta

é no funeral da sua inocência
celebrar o sangue derramado
no rompimento do sexo frágil

virar loba em pele de cordeiro
aprender a engolir o mundo
sem deixar nenhum respingo

cortar a franja agudecer a voz
formar frases salpicar sorrisos

unir a gula da criança que foi
à luxúria da mulher que será

esconder o gozo sob as saias
passar impune pela inquisição
latejando seu desejo de pecar

(a moça é vulto na madrugada)

e vive o melhor de dois mundos
podendo comer pelas beiradas.

(Amanda Vital)

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