Poema (12) de Diniz Gonçalves Júnior

escamas

Imagem: Pinterest.com

 

Desmemórias
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o colírio laranja visão turva na estação carrão as linhas alongadas delimitam o espaço tranco no vagão e a janela passa rápida borrando a paisagem.
22
derrama a luz branca da barbearia fresta da janela estacionamento salgados adormecidos no pequeno balcão alguns passos o bar monte serrat que não divisa nenhum mar a rua cerra os dentes desconfiada até a esquina soturna que beira o posto e a avenida
23
uma rua torta fileira de casas coloridas bandeirinhas juninas na vilinha mário zan e uma quadrilha de passarinhos
24
na estrada os fios elétricos das damas de ferro fincadas nos campos de cana na janela máquina de café estação catanduva na lonjura das estradas
25
qualquer ato é farsa que rasga a lona do parque antigo canastrão na corda bamba sem tiques ou truques o salto ou nada vinca essa pele de deserto escamas cotidianas

 

Diniz Gonçalves Júnior

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